Conheça as histórias dos primeiros campos de São Paulo

O vitorioso futebol brasileiro nasceu em São Paulo. Muitos dos endereços que contam essa história, no entanto, são desconhecidos dos paulistanos. Não há nada que os identifique. Neste dia, 25 de janeiro de 2017, em que a cidade de São completa 463 anos, conheça pontos de interesse futebolístico espalhados pela cidade.

Várzea do Carmo

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O encontro entre a Rua Santa Rosa e a Rua do Gasômetro, no Brás, foi palco do primeiro jogo de futebol do Brasil. Em 14 de abril de 1895, Charles Miller e seus amigos tiraram as vacas do terreno e desenharam um quadrilátero para demarcar o campo. Os funcionários da São Paulo Gás Company foram derrotas pelos da São Paulo Railway, equipe de Charles Miller, em partida que terminou nos 4 x 2. Hoje, o local abriga uma área de pequenos comércios populares.

Esquina da Rua Santa Rosa com a Rua do Gasômetro, Brás
Não existe mais

Chácara Dulley

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Foi este local que abrigou o primeiro campo oficialmente demarcado do Brasil, palco dos primeiros treinos de futebol do país. Originalmente, era um campo de críquete, que foi adaptado para o futebol por Charles Miller – então jogador do São Paulo Athletic Club e sobrinho dos proprietários da chácara – em 1896. Em 1903, os treinos da Chácara Dulley foram transferidos para a Chácara Witte, também no Bom Retiro. A família Dulley vendeu parte da chácara para uma comunidade de freiras salesianas, que montaram o Colégio Santa Inês, até hoje no local. O campo, que nunca recebeu um jogo oficial, se localizava onde atualmente está instalada a Fatec.

Avenida Tiradentes, 615, Bom Retiro
Não existe mais

O templo do futebol amador

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O campo do CMTC Clube foi palco do “Desafio ao Galo”, um dos principais torneios da várzea paulista. O campeonato criado pela Record na década de 70 tinha seus jogos realizados e televisionados aos domingos, às 10h. Inicialmente, as partidas aconteciam nos campos do Juventus e do União Operário, mas foi no CMTC Clube que o torneio atingiu seu auge. O “Desafio ao Galo” continuou sendo televisionado até o final da década de 1990, e disputado até o final da década de 2000.

Avenida Cruzeiro do Sul, 808, Canindé
Tel. 3313-0715
De terça a domingo e aos feriados, das 8h às 17h

Estádio da Ponte Grande

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A primeira casa do Corinthians ficava onde hoje estão as quadras de tênis do Clube de Regatas Tietê, próximo à Ponte das Bandeiras. Inaugurado em 14 de março de 1918, o estádio construído em área cedida pela prefeitura de São Paulo tinha capacidade para oito mil torcedores em pé. Abrigou os jogos do Corinthians até 1927, quando foi vendido para a extinta Associação Atlética São Bento. Em 1935, depois de o São Bento se mudar para São Caetano do Sul, a área foi incorporada pelo Clube de Regatas Tietê. O Corinthians não conquistou nenhum título jogando no local.

Avenida Santos Dumont, 843, Luz
Não existe mais

Igreja da Consolação

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Entre 1935 e 1938, o São Paulo teve dificuldades para encontrar campos para treinar. A situação ficou tão séria que os tricolores foram obrigados a usar os fundos da Igreja da Consolação, então sob responsabilidade do Monsenhor Francisco Bastos, um dos fundadores do clube. Na época, as dependências da igreja da região central da cidade também abrigaram os craques são-paulinos em concentração.

Rua da Consolação, 585, centro
Tel. 3256-5356
Segunda a sexta, das 6h30 às 20h; sábado, das 7h30 às 13h e das 17h às 19h; domingo, das 7h30 às 13h30 e das 17h às 22h

Campo do Lenheiro

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Foi o primeiro campo do Corinthians. Logo após a fundação do clube, em setembro de 1910, seus sócios, a maioria formada por empregados da São Paulo Railway, decidiram alugar por 30 mil réis um terreno localizado nas atuais ruas José Paulino, Ribeiro de Lima e Prates, na região do Bom Retiro. O local era conhecido como Lenheiro, porque seu dono era um vendedor de madeira que usava o terreno para guardar o material de trabalho. Jogadores, diretores e associados capinaram eles mesmos o terreno para a realização dos primeiros treinos da equipe.

Rua José Paulino, Rua Ribeiro de Lima e Rua Prates, Bom Retiro
Não existe mais

Estação do Norte

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Foi na Estação do Norte de trem que Leônidas da Silva desembarcou vindo do Rio de Janeiro em 1942 para se apresentar ao São Paulo. O tricolor pagou 200 contos de réis – na época a maior quantia já gasta por um jogador de futebol – pelo passe do Diamante Negro. A chegada de Leônidas foi um baita acontecimento: cerca de 10 mil são-paulinos lotaram a Estação do Norte (que mais tarde se chamaria Estação Roosevelt, e hoje é conhecida como Estação Brás).

Praça Agente Cícero, s/nº, Brás
Não existe mais

A primeira sede do São Paulo

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O São Paulo ganhou sua primeira sede em 25 de janeiro de 1936, um mês depois de ter sido fundado, em dezembro de 1935. Era um porão precário alugado na Praça Carlos Gomes, próximo à Praça da Sé, no centro da cidade. O local era tão pequeno que os membros do clube tinham de se revezar para participar das reuniões. O endereço foi utilizado até 1937, quando a sede mudou para o 11º andar do Edifício Martinelli, na Avenida São João, onde permaneceu por apenas dois meses.

Praça Carlos Gomes, 38, Centro
Não existe mais

O nascimento da primeira torcida organizada do Brasil

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Em março de 1937, o São Paulo mudou de sede pela terceira vez, para o primeiro andar do prédio número 1001 da Avenida São João, onde hoje fica o número 15 da Praça Júlio Mesquita. O local ficou marcado por ter sido palco da fundação da primeira torcida organizada do Brasil. Lá, o sócio são-paulino Manoel Raymundo Paes de Almeida fundou o Grêmio São-Paulino, que posteriormente mudaria seu nome para Torcida Uniformizada do São Paulo, a Tusp, conhecida pelo entusiasmo das comemorações, sempre repletas de serpentinas e confetes.

Praça Júlio Mesquita, 105, República
Não existe mais

Monumento Duque de Caxias

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Localizado no bairro de Campos Elísios, na região central da cidade, o monumento de 48 metros de altura é uma estátua de bronze platinado com pedestal de granito, que retrata as batalhas do Duque de Caxias. O que ela tem a ver com o futebol? Para angariar fundos para sua construção, uma série de ações foi tomada, entre elas a realização de uma partida amistosa entre Corinthians e Palestra Itália, realizada em 21 de julho de 1940, no Pacaembu. O jogo terminou empatado (1 x 1) e a estátua só foi inaugurada em 25 de agosto de 1960.

Praça Princesa Isabel, s/nº, Campos Elísios

 

Homenagem a ex-presidente corintiano

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No bairro da Mooca, na Zona Leste, uma praça localizada entre o Viaduto Bresser e a Avenida Alcântara Machado reúne 17 escudos de times de futebol e um busto de Vicente Matheus, espanhol que presidiu o Corinthians por oito mandatos, de 1959 a 1961, 1972 a 1981 e de 1987 a 1991. O folclórico dirigente ficou marcado pelas grandes contratações e pelas frases curiosas, além dos títulos do Paulistão de 1977, que acabou com um jejum de 23 anos, e do primeiro Brasileirão do timão, em 1990.

Praça Vicente Matheus, s/nº, Mooca

Estádio Nicolau Alayon

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O estádio do Nacional Atlético Clube, antigo São Paulo Railway Athletic Club, também é conhecido como Comendador Souza, por estar localizado na rua de mesmo nome, no bairro da Barra Funda. É o único estádio no Brasil a homenagear um estrangeiro, o uruguaio Nicolau Alayon, que por muitos anos presidiu o Nacional Atlético Clube. Com capacidade para 9.650 torcedores, o estádio começou a ser construído em 1937 e foi inaugurado em 14 de maio de 1938. Atualmente, é utilizado pelo Nacional, na segunda divisão paulista, e pelo Audax, que ocupa a série A2 do campeonato estadual.

Rua Comendador Souza, 348, Barra Funda
Tel. 3611-2199

 

Sede social de festa do São Paulo da Floresta

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O São Paulo da Floresta adquiriu o pequeno palacete conhecido como Trocadero, localizado na Rua Conselheiro Crispiniano, esquina com a Praça Ramos de Azevedo, no centro da cidade, em 1934, assumindo uma dívida de 190 contos de réis, valor altíssimo para a época. A compra serviu como desculpa para uma briga política interna entre os dirigentes, que culminou na extinção do clube em maio de 1935. O Palácio do Trocadero passou por várias mãos e hoje abriga uma loja da rede de papelarias Kalunga.

Rua Conselheiro Crispiniano com Praça Ramos de Azevedo, centro

 

Estádio Professor Nami Jafet

Ypiranga

O estádio do Clube Atlético Ypiranga, de capacidade de apenas 3.000 pessoas, foi inaugurado em 1º de maio de 1932 com a partida Ypiranga 3 x 0 São Bento. Originalmente, a entrada no estádio ficava na Rua dos Ituanos, mas, depois de uma reforma, passou para a Rua dos Sorocabanos. Em 10 de dezembro de 1950, aconteceu a última partida no local, em que o Ypiranga venceu o Juventus por 2 x 1. O estádio foi demolido e a família Jafet vendeu o terreno para a construção de uma fábrica.

Rua dos Ituanos / Rua dos Sorocabanos, Ipiranga

 

Primeira sede do Clube Atlético Juventus (ou Cotonifício Rodolfo Crespi F.C.) 

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Em 20 de abril de 1924, foi fundado o Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube, nascido da fusão de dois clubes de várzea do bairro da Mooca: o Extra São Paulo F.C. e o Cavaleiro Crespi F.C. Sua primeira sede foi uma pequena sala na Rua dos Trilhos, 42, na Mooca. Em 19 de fevereiro de 1930, a diretoria do Cotonifício decidiu mudar o nome do clube para Clube Atlético Juventus.

Rua dos Trilhos, 42, Mooca

 

O primeiro estádio de futebol iluminado da história

Jogo com iluminação de bonde

Em 23 de junho de 1923, realizou-se o primeiro jogo de futebol noturno com luz elétrica da história, no campo da Rua Glicério, no centro. A ideia foi de Severino Rômulo, então dono da Light. Os próprios jogadores instalaram os projetores nas laterais do campo, em cada uma das extremidades. A partida amistosa acabou com a derrota da Sociedade Esportiva Linhas e Cabos, clube dos funcionários da Light, para a Associação Atlética República, por 2 x 0. No mesmo campo, em 1926, os dois times repetiram o confronto, numa noite de luar. Dessa vez, além dos refletores, contaram com a ajuda de faróis de bondes estrategicamente localizados à beira do campo.

Rua Glicério, centro

 

Campo do Jardim América

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Com a indenização da desapropriação do velódromo, o Paulistano comprou um terreno no Jardim América, onde atualmente fica a sede do clube. Lá, foi construído um estádio com arquibancadas para até 2.000 torcedores, e capacidade total para 15.000 pessoas, inaugurado em 29 de dezembro de 1917. Em 1929, o clube extinguiu seu departamento de futebol e o campo passou a ser usado pelos sócios. O estádio foi demolido em 1950, permitindo a ampliação do terreno do clube social.

Clube Paulistano
Rua Honduras, 1400, Jardim América
Tel. 3065-2000
Segunda a sexta, das 9h às 18h

Fonte: São Paulo Para Curiosos